“CORAGEM RADICAL”

LER

Marcos 6,14-29

“Herodes gostava de ouvir João Batista, embora ficasse embaraçado quando o escutava” (Mc 6,20).

As palavras de Jesus nos desafiam a refletir sobre a coragem de viver nossa verdade em um mundo muitas vezes hostil à autenticidade, e nos convida a questionar qual é o preço que estamos dispostos a pagar pela nossa fé e integridade. Nos direcionando para a pessoa de Herodes, precisamos nos posicionar entre “gostar” e ficar admirados das coisas de Deus, das palavras e ensinamentos de Jesus, da proposta da Igreja ou de abraçarmos a causa da Reino em atitudes concretas, reais a ponto de darmos a nossa própria vida por aquilo acreditamos e abraçamos concretamente.

(Pe. William Santos Vasconcelos – Diretor espiritual).

MEDITAR

  1. O que essa passagem revela sobre a natureza humana?
  2. Quais áreas da minha vida precisam de mais coragem para viver a verdade?

CONTEMPLAR

Quais áreas da minha vida precisam de mais coragem para viver a verdade”.

COMPROMISSO

Como posso ser mais fiel a Deus, mesmo diante da pressão externa? (Escreva no seu diário espiritual).

LEITURA ESPIRITUAL

Em particular, Francisco indicou «algumas atitudes neste trecho do Evangelho» proposto pela liturgia. E «a primeira é a atitude do rei: refere-se que pensava que João era um profeta. Pensava, ouvia-o de bom grado; a um certo ponto protegia-o, mas tinha-o aprisionado: um pouco cá, um pouco lá». Estava «indeciso, porque João reprovava ao rei o pecado do adultério e ele ficava muito perplexo quando o ouvia: ouvia a voz de Deus que lhe dizia “muda de vida”, mas não conseguia». Em síntese, afirmou o Pontífice, «o rei era corrupto e é muito difícil sair de onde há corrupção». Precisamente porque «corrupto», o rei «procurava equilíbrios diplomáticos, digamos assim, entre a própria vida — não só a adúltera, mas também a vida cheia de injustiças que permitia — e a santidade do profeta que tinha diante de si». E «esta era a perplexidade, e nunca chegava a desfazer aquele nó». Portanto, «o primeiro protagonista deste final é um corrupto».

«O segundo protagonista é a esposa do irmão do rei, Herodíades» continuou o Papa. Dela «o Evangelho diz apenas que “odiava” João» e «odiava-o porque João falava com clareza». Francisco quis frisar bem a palavra «odiava» pois «nós sabemos que o ódio é capaz de tudo, é uma força grande. O ódio é a respiração de satanás: recordemo-nos que ele não sabe amar, não pode amar. O seu “amor” é o ódio». E «esta mulher tinha o espírito satânico do ódio» e «o ódio destrói».

«A terceira personagem — disse ainda o Pontífice — é a jovem, a filha de Herodíades: dançava bem, a ponto que agradou muito aos comensais, ao rei». E «o rei, naquele entusiasmo — um pouco de entusiasmo, muito vinho e muitas pessoas ali — fez uma promessa a esta moça vaidosa: “Dar-te-ei tudo”». O Papa observou que «usa as mesmas palavras que satanás usou para tentar Jesus: “Se me adorares dar-te-ei tudo, o reino, tudo”». E nem sequer «sabia que usava as mesmas palavras». Porque «por detrás destas personagens está satanás, semeador de ódio na mulher, semeador de vaidade na jovem, semeador de corrupção no rei».

Neste contexto “o maior homem nascido de mulher” acabou sozinho, numa cela escura da prisão, devido ao capricho de uma bailarina vaidosa, ao ódio de uma mulher diabólica e à corrupção de um rei indeciso». João é «um mártir o qual deixou que a sua vida fosse diminuindo, para dar lugar ao Messias». E «morre ali, no anonimato, como tantos mártires nossos». A ponto que «o evangelho nos diz unicamente que os discípulos foram buscar o seu cadáver para o sepultar».

«Cada um de nós pode pensar: este é um grande testemunho de um homem grandioso, de um grande santo» afirmou o Pontífice. «A vida — observou — só tem valor se for doada no amor, na verdade, oferecida aos outros, na vida diária, na família». Mas «doando-a sempre». E «se alguém tomar a vida para si, para a preservar, como o rei na sua corrupção ou a senhora com o ódio, ou a moça, a jovem, com a própria vaidade — um pouco adolescente, inconsciente — a vida morre, a vida acaba por murchar, não serve». Ao contrário, João «doou a sua vida: “eu devo diminuir para que Ele seja ouvido, visto, para que Ele, o Senhor, se manifeste”».

(Papa Francisco, Meditações matutinas na Santa Marta celebrada na capela da casa SANTA Marta, 08/02/2019).

Bom dia para você e sua família!