“MUDANÇA PROFUNDA E RADICAL”

LER

Lucas 6,39-45

“Por que vês o argueiro que está no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho?” (Lc 6,41).

O Evangelho de hoje é de uma profundidade tamanha pois nos leva ajuda a percorrer um caminho de espiritualidade a partir de uma base sólida: olhar em primeiro lugar para dentro de nós mesmos. Assim, Jesus nos chama a olhar para dentro de nós mesmos antes de apontar as falhas dos outros, nos desafiando a cultivar a sinceridade e a autoconsciência. Partir de um autoconhecimento é o ponto de partida para uma verdadeira transformação espiritual, pois, sem esse olhar interior, não conseguimos avançar no processo de crescimento espiritual.

(Pe. William Santos Vasconcelos – Diretor espiritual).

MEDITAR

  1. O que significa para mim a metáfora da trave no meu próprio olho e do argueiro no olho do outro?
  2. Qual é o “tesouro” que tenho no coração?

CONTEMPLAR

A benção de Deus é um sinal de acolhimento e cuidado. Ele nos chama para um relacionamento íntimo e pessoal. Medite.

COMPROMISSO

Como posso permitir que a sabedoria divina transforme meu coração, para que minhas ações e palavras reflitam a bondade e a justiça de Deus. (Escreva no seu diário espiritual).

LEITURA ESPIRITUAL

Como podemos constatar, Jesus não proíbe julgar de maneira absoluta: o que Ele nos ordena, na verdade, é que retiremos antes a viga do nosso olho para corrigirmos depois os erros do nosso irmão. É evidente, de fato, que cada um de nós conhece melhor as condições em que se encontra do que as dos outros; é certo também que cada um de nós vê melhor as coisas maiores do que as menores e se ama mais a si mesmo do que ao outro. Se, por solicitude, fizeres isso, cuida primeiro de ti mesmo, onde é mais visível e maior o pecado. Se, por outro lado, te esqueces de ti mesmo, é evidente que julgas teu irmão não tanto porque te importa, mas porque sentes aversão por ele e queres desonrá-lo. Não só não tiras a viga que está no teu olho, como nem sequer consegues vê-la, enquanto não só vês o cisco no olho do teu irmão, mas o examinas e pretendes tirá-lo. Em suma, o Senhor nos ordena com esse preceito que quem está carregado de culpas não deve se erguer como juiz rigoroso dos outros, principalmente quando as culpas deles são desprezíveis. Não é que Ele proíba de forma genérica julgar e corrigir, mas que nos proíbe de descuidar de nossas culpas e ignorá-las para acusar com rigor os outros. Agir assim só pode aumentar nossa maldade, tornando-nos duplamente culpáveis. Quem, por hábito, esquece suas próprias culpas, mesmo que grandes, e se preocupa, por outro lado, em buscar e criticar com dureza as dos outros, mesmo que pequenas e leves, prejudica-se de duas formas: primeiro, porque descuida e minimiza seus próprios pecados; e, em seguida, porque atrai inimizade e ódio sobre todos com seus julgamentos insolentes, tornando-se, a cada dia, mais desumano e cruel.

(São João Crisóstomo, Homilías sobre el evangelio de Mateo XXIII, 2, passim).

Bom domingo para você e sua família!