“ENTREGA RADICAL”
LER
Marcos 10,28-31
“Eis que nós deixamos tudo e te seguimos…” (Mc 10,28).
No Evangelho de hoje, as palavras de Pedro a Jesus ecoam em nosso íntimo um desejo e expressam uma inquietação que, em algum momento, todos nós carregamos no coração: “vale a pena deixar tudo para seguir a Cristo?”. A resposta de Jesus nos dá uma certeza de que Ele não nos chama apenas para deixar algo, mas para seguir a sua pessoa. Não se trata de um simples abandono, mas de um encontro. Seguir a Cristo não é um caminho de perda, mas de plenitude. Encontrar com Jesus é atingir a plenitude da vida, pois, quando nos lançamos nessa jornada descobrimos que todos os desafios e dificuldades se transformam em oportunidades e em um ganho muito maior.
(Pe. William Santos Vasconcelos – Diretor espiritual).
MEDITAR
- O que preciso abrir mão para segui-Lo mais de perto?
- Ter que abdicar de alguma coisa, para seguir Jesus de forma mais radical, me causa sofrimento?
CONTEMPLAR
Imagine-se diante de Jesus, ouvindo suas palavras e sentindo seu olhar amoroso. Ele te chama a segui-Lo. Não precisa temer, pois Ele caminha contigo.
COMPROMISSO
Quais passos você pode dar como sinal de desapego, confiando mais na providência divina? (Escreva no seu diário espiritual).
LEITURA ESPIRITUAL
Hoje a liturgia continua a propor o trecho de Marcos, examinando a reação de Pedro (10, 28-31), que diz a Jesus: «Tudo bem e nós?». Parece quase, comentou o Papa, que Pedro com a sua pergunta — «Eis que deixamos tudo e te seguimos. O que nos cabe?» — apresente «a conta ao Senhor», como numa «conversa de negócios». Na realidade, explicou o Pontífice, provavelmente não era «aquela a intenção de Pedro», que evidentemente «não sabia o que dizer: “Sim, ele foi embora, mas nós?”». Em todo o caso, «a resposta de Jesus é clara: “Em verdade vos digo: Ninguém há que tenha deixado tudo sem receber tudo». Não há meias-medidas: «Eis, deixamos tudo», «Recebereis tudo». Ao contrário, há «aquela medida transbordante com a qual Deus concede os seus dons: “Recebereis tudo. Ninguém há que tenha deixado casa ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras por causa de mim e por causa do Evangelho que não receba, já neste século, cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, e no século vindouro a vida eterna”. Tudo».
Esta é a resposta, disse o Pontífice: «O Senhor não sabe conceder menos que tudo. Quando ele concede algo, doa-se a si mesmo, que é tudo».
Contudo, uma resposta da qual sobressai uma palavra que «nos faz refletir». De facto, Jesus afirma que «se recebe já neste século, cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras com perseguições». Portanto «tudo e nada». Explicou o Papa: «Tudo na cruz, tudo com perseguições, juntamente com as perseguições». Porque se trata de «entrar noutro modo de pensar, noutra maneira de agir». Com efeito, «Jesus doa-se totalmente a si mesmo, porque a plenitude de Deus é aniquilada na cruz». Eis então o «dom de Deus: a plenitude aniquilada». Eis então também o «estilo do cristão: procurar a plenitude, receber a plenitude aniquilada e seguir por aquele caminho». Certamente, um compromisso que «não é fácil».
Mas o Papa, seguindo a sua meditação, foi além e perguntou: «qual é o sinal que indica que progrido neste dar tudo e receber tudo?». O que faz compreender que estamos no caminho certo? A resposta, disse, encontra-se na primeira leitura do dia (Eclo 35, 1-15), onde se lê: «Dá glória a Deus de bom coração e nada suprimas das primícias das tuas mãos. Faz todas as tuas oferendas com um rosto alegre, consagra os dízimos com alegria. Dá ao Altíssimo conforme te foi dado por ele, dá de bom coração de acordo com o que as tuas mãos ganharam, pois o Senhor retribui a dádiva». Portanto, «de bom coração, rosto alegre, alegria…». Explicou o Pontífice: «O sinal que percorremos o caminho do tudo e nada, da plenitude aniquilada, é a alegria».
Não foi por acaso que «o jovem rico abatido no semblante, foi embora entristecido». Não fora «capaz de receber, de acolher a plenitude aniquilada». Ao contrário, explicou o Papa, «os santos, o próprio Pedro, receberam-na. E no meio das provações, das dificuldades mantiveram o rosto alegre, os olhos contentes e a alegria no coração. Este é o sinal».
Neste ponto o Papa recorreu a um exemplo tirado da vida da Igreja contemporânea: «Recordo-me — disse — de uma frase pequenina de Santo Alberto Hurtado, chileno. Trabalhava sempre, com dificuldade após dificuldade… Trabalhava pelos pobres». É um santo que «foi perseguido» e teve que enfrentar «muitos sofrimentos». Mas «quando era aniquilado na cruz» dizia: «Contente, Senhor, contente». «Feliz, Senhor, feliz»
(Papa Francisco, Meditações matutinas na santa missa celebrada na capela da casa Santa Marta, 28/02/2017).
Bom dia para você e sua família!
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