Ezequiel 9,1-7.10,18-22; Mateus 18,15-20

Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo! Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão” (Mt 18,15)

JESUS NOS ENSINA QUE AMAR NÃO É EXPOR A FERIDA DO OUTRO, MAS ABRIR ESPAÇO PARA O REENCONTRO.

Quando alguém nos fere, somos tentados a nos afastar, julgar ou expor. Jesus propõe outro caminho: ir ao encontro.

A correção fraterna não nasce do desejo de vencer, mas da decisão de não deixar que a ferida tenha a última palavra. Entre o erro do outro e a minha resposta existe um espaço de liberdade. É nesse espaço que escolho quem quero ser.

Corrigir em particular é preservar a dignidade do outro sem negar a verdade. É reconhecer que uma pessoa é sempre maior do que o seu erro e que uma relação pode encontrar novo sentido quando existe coragem para dialogar.

(Pe. William Santos Vasconcelos – Diretor Espiritual).

MEDITAR

  1. Quando você viu a falha de alguém, corrigiu — ou expôs?
  2. Prefire comentar com terceiros, ou ir direto a quem errou?

COMPROMISSO

Dê um passo concreto em direção a uma reconciliação necessária. (escreva no seu Diário espiritual).

LEITURA ESPIRITUAL

Cristo está entre o outro e eu…

Uma vez que Cristo se encontra entre o outro e eu, não devo desejar uma comunhão imediata com ele. Assim como somente Cristo pode falar comigo de modo que verdadeiramente me socorra, também o outro só pode ser ajudado pelo próprio Cristo.

Isso significa que devo deixar o outro livre e não tentar determinar suas decisões, obrigá-lo ou dominá-lo com o meu amor. Por ser livre em relação a mim, o outro deve ser amado tal como verdadeiramente é, isto é, como um ser humano para quem Cristo conquistou a remissão dos pecados e para quem preparou a vida eterna.

Uma vez que Cristo já realizou há muito tempo a sua obra em meu irmão, muito antes que eu pudesse começar qualquer obra nele, devo deixar meu irmão livre por causa de Cristo; ele deve encontrar-me apenas como aquele homem que ele já é em Cristo.

É isso que significa podermos encontrar o próximo somente por meio de Jesus Cristo.

O amor meramente humano cria para si uma imagem própria do outro, daquilo que ele é e daquilo em que deveria se tornar. Toma a vida do próximo em suas próprias mãos.

O amor espiritual, ao contrário, reconhece a verdadeira imagem do próximo por meio de Jesus Cristo: é a imagem que Jesus Cristo formou e que deseja continuar formando.

Por isso, o amor espiritual continuará confiando constantemente, em tudo o que diz e em tudo o que faz, o próximo a Cristo.

Não procurará provocar emoções em seu interior, tentando influenciá-lo de maneira excessivamente pessoal e imediata, nem intervirá em sua vida de forma imprópria. Não encontrará prazer na excitação dos sentimentos nem em um fervor religioso exagerado. Ao contrário, irá ao seu encontro com a clara Palavra de Deus e estará disposto a deixá-lo sozinho com essa Palavra durante um longo período, deixando-o novamente livre, para que Cristo possa agir nele.

Respeitará os limites que Cristo colocou entre o outro e eu e encontrará a plena comunhão com ele em Cristo, que une e congrega a todos.

Por isso, falará mais com Cristo sobre o irmão do que de Cristo ao irmão.

Sabe que o caminho mais curto para chegar ao outro passa pela oração dirigida a Cristo e que o amor por ele está completamente unido à verdade em Cristo.

A respeito desse amor, diz o apóstolo João:

“Não tenho alegria maior do que esta: saber que meus filhos caminham na verdade.”
(3Jo 4)

(D. Bonhoeffer, Vida em Comunidade).

Bom dia para você e sua família!