João 9,1-41

 “Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis: ‘Nós vemos’, o vosso pecado permanece” (Jo 9,41).

O Evangelho de hoje não fala apenas de um homem sem visão física, mas de toda a humanidade ferida em sua interioridade. Aquele homem sai das trevas dos olhos para a luz do mundo, mas, sobretudo, caminha para a luz da fé em Cristo. Já os que diziam ver permanecem fechados em sua autossuficiência, pois o maior pecado não é apenas não enxergar, mas recusar-se a reconhecer a própria cegueira. Jesus não quer apenas curar nossos olhos, mas abrir nossa alma para que reconheçamos onde estamos cegos, endurecidos e distantes da verdade. Só começa a verdadeira cura quando deixamos cair a máscara da falsa lucidez e pedimos, com humildade, que Cristo nos ensine a ver.

MEDITAR

  1. Em que áreas da minha vida tenho agido como quem pensa que vê, mas continua cego diante de Deus?
  2. Tenho permitido que Jesus ilumine meu interior ou continuo preso às minhas certezas e ao meu orgulho?

COMPROMISSO

Reflita sobre suas cegueiras espirituais e peça a Jesus a verdadeira visão para agir com humildade e clareza.  (escreva no seu Diário espiritual).

LEITURA ESPIRITUAL

Diz o Senhor: Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida. Estas breves palavras contêm um mandato e uma promessa. Façamos o que o Senhor nos manda, para esperarmos sem temeridade receber o que nos promete, não seja caso que Ele nos diga no dia do Juízo: «Porventura fi zeste o que te mandei, para esperares agora alcançar o que prometi?». «E que foi o que mandastes, Senhor nosso Deus?». Responder-te-á: «Que Me seguisses». Pediste um conselho de vida. E de que vida, senão daquela acerca da qual está escrito: Em Vós está a fonte da vida? Por conseguinte, façamos agora o que nos manda, sigamos o Senhor e libertemo-nos das cadeias que nos impedem de O seguir. Mas ninguém poderá soltar estas amarras sem a ajuda d’Aquele de quem se disse: Quebrastes as minhas cadeias; e também noutro salmo: O Senhor dá liberdade aos cativos, o Senhor levanta os abatidos. Somente os que assim são libertos e levantados poderão seguir aquela luz que proclama: Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não anda nas trevas; porque, diz ainda o salmo, o Senhor dá vista aos cegos. Os nossos olhos, irmãos, são agora iluminados pelo colírio da fé. Para iluminar o cego de nascença, o Senhor começou por ungir-lhe os olhos com a sua saliva misturada com terra. Cegos também nós nascemos de Adão e temos necessidade de que o Senhor nos ilumine. Ele misturou a saliva com a terra: O Verbo Se fez carne e habitou entre nós. Misturou a saliva com a terra, como se tinha anunciado: A verdade germina da terra. E Ele próprio disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. A verdade nos saciará, quando o virmos face a face, pois também isto nos é prometido. Quem o ousaria esperar, se Deus não o tivesse prometido? Veremos face a face, como diz o Apóstolo: Agora conhecemos de maneira imperfeita; agora vemos como num espelho, obscuramente; mas depois veremos face a face. E o Apóstolo João diz numa das suas cartas: Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é. Esta é a grande promessa! Se O amas, segue-O.

(Dos Tratados de Santo Agostinho, bispo, sobre o Evangelho de São João / Tract. 34, 8-9: CCL 36, 315-316) (Sec. V).

Bom domingo para você e sua família!